sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014






Taxas De Desmatamento Para Países Amazônicos Fora Do Brasil


February 12, 2014


Desmatamento crescendo em países amazônicos não brasileiros

Nota do editor (7/7/13): Re-análise dos dados originais levou a revisão dos dados anuais da perda de florestas.

Uma nova análise, baseada nos dados em satélites, encontra que o desmatamento tem aumentado bruscamente em países com florestas tropicais da Amazônia fora do Brasil.

Pesquisadores da Terra-i e equipe InfoAmazonia de O-Eco desenvolveram mapas atualizados de coberturas florestais para a Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Os resultados revelam uma tendência de aumento no desmatamento de florestas desde 2004.

Peru teve a maior extensão da perda de floresta em 2012, perdendo 162 mil hectares, um aumento de 65 mil, ou 67 por cento sobre 2011. Venezuela (12,600), Suriname (8,506) e Guiana (6,981) seguem. Em termos de variação percentual, Suriname (84 por cento) e Guiana (69 por cento) tiveram a maior avaliação de crescimento neste período. Bolívia viu uma diminuição de 83 por cento de desmatamento.


Deforestation across the Non-Brazilian Amazon, 2004-2012

Deforestation across the Non-Brazilian Amazon, 2004-2012


A análise da InfoAmazonia também olhou para o desmatamento em nível subnacional, incluindo estados, departamentos e municípios, e também as áreas protegidas, reservas indígenas e ecossistemas. Loreto, Peru teve a maior perda de floresta em 2012 – 25,544 ha. Caquetá, Colômbia viu a sua taxa de desmatamento saltar 193 por cento.

Entre parques, Pacaya Samiria (3,325 ha), no Peru, Imataca (1,356 ha), o Alto Orinoco-Cassiquiare (819 ha), na Venezuela, e Noord Saramaccan (581 ha) no Suriname viu a perda de floresta mais alto. A várzea Iquitos - floresta de várzea ao longo do tronco principal da Amazônia - perdeu a maior área de floresta entre as eco-regiões, tanto em 2012 (24,094 ha) e durante o período de nove anos (151,675 ha).

Áreas indígenas, que cobriam 4,4 por cento da área de terra, foram responsáveis por 1,5 por cento de perda de floresta detectados entre 2004 e 2012. Em comparação, as áreas protegidas cobriam 19,9 por cento da área e foi responsável por 9,3 por cento do desmatamento. Os resultados indicam que as áreas indígenas, ajustados pelo o tamanho, tiveram uma menor taxa de perda florestal de parques na região.


Comparison of deforestation in parks, protected areas, and unprotected areas in the non-Brazilian Amazon


Em geral, a avaliação constatou que os oito países amazônicos perderam cerca de 2,3 milhões de hectares de floresta entre 2004 e 2012. Em comparação, o Brasil, que foi excluída do estudo, perdeu 11,1 milhões de hectares neste período. Mas a taxa de desmatamento do Brasil está em declínio, passando de 2,7 milhões de ha em 2004 para 465.600 ha em 2012. Mais de 60 por cento da floresta amazônica encontra-se dentro do Brasil.


Deforestation in the Brazilian Amazon

Deforestation in ALL Amazon countries
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A queda do Brasil no desmatamento tem sido atribuído em parte ao seu desenvolvimento e implementação de um sistema em tempo real de monitoramento do desmatamento que alerta as autoridades de mudanças na cobertura florestal, permitindo de tomar medidas logo após ou mesmo durante o desmatamento da floresta. O sistema de Terra-i, que utiliza dados do sensor MODIS do satélite Terra e Aqua da NASA, agora oferece capacidades semelhantes além da Amazônia brasileira.

A pecuária é o maior condutor direto do desmatamento na floresta amazônica, representando mais de 60 por cento da compensação. Madeireira é o maior factor de degradação florestal.


As conseqüências do desmatamento


Desmatamento de florestas

As principais conseqüências do desmatamento são:

– Destruição da biodiversidade;

– Genocídio e etnocídio das nações indígenas;

– Erosão e empobrecimento dos solos;

– Enchente e assoreamento dos rios;

– Diminuição dos índices pluviométricos;

– Elevação das temperaturas;

– Desertificação;

– Proliferação de pragas e doenças.




Uma das conseqüências do desmatamento é a destruição e extinção de diferentes espécies. Muitas espécies podem ajudar na cura de doenças, usadas na alimentação ou como novas matérias-primas, são desconhecidas do homem, correndo o risco de serem destruídas antes mesmo de conhecidas e estudadas. Esse bem natural é muito conhecido pelos índio que vivem nas florestas. Mas esse povo indígeno também estão sofrendo um processo que tem levado à perda de seu patrimônio cultural, dificultando, o acesso aos seus conhecimentos.

Um consequência agravante do desmatamento é o progresso dos processos de erosão. As árvores de uma floresta têm a função de proteger o solo, para que a água da chuva não passe pelo tronco e infiltre no subsolo. Elas diminuem a velocidade do escoamento superficial, e evitam o impacto direto das chuvas como o solo e suas raízes ajudam a retê-lo, evitando a sua desagregação.

A retirada da cobertura vegetal expõe o solo ao impacto das chuvas. As conseqüências dessa interferência humana são várias:

- aumento do processo erosivo, o que leva a um empobrecimento dos solos, como resultado da retirada de sua camada superficial e, muitas vezes, acaba inviabilizando a agricultura;

- assoreamento de rios e lagos, como resultado da elevação da sedimentação, que provoca desequilíbrios nesses ecossistemas aquáticos, além de causar enchentes e, muitas vezes, trazer dificuldades para a navegação;

- extinção de nascentes: o rebaixamento do lençol freático, resultante da menor infiltração da água das chuvas no subsolo, muitas vezes pode provocar problemas de abastecimento de água nas cidades e na agricultura;

- diminuição dos índices pluviométricos, em conseqüência do fenômeno descrito acima, mas também do fim da evapotranspiração. Estima-se que metade das chuvas caídas sobre as florestas tropicais são resultantes da evapotranspiração, ou seja, da troca de água da floresta com a atmosfera;

- elevação das temperaturas locais e regionais, como conseqüência da maior irradiação de calor para a atmosfera a partir do solo exposto. Boa parte da energia solar é absorvida pela floresta para o processo de fotossíntese e evapotranspiração. Sem a floresta, quase toda essa energia é devolvida para a atmosfera em forma de calor, elevando as temperaturas médias;

- agravamento dos processos de desertificação, devido à combinação de todos os fenômenos até agora descritos: diminuição das chuvas, elevação das temperaturas, empobrecimento dos solos e, portanto, acentuada diminuição da biodiversidade;

- ou fim das atividades extrativas vegetais, muitas vezes de alto valor socioeconômico. É importante perceber que, muitas vezes, compensa mais, em termos sociais, ambientais e mesmo econômicos, a preservação da floresta, que pode ser explorada de forma sustentável, do que sua substituição por outra atividade qualquer;

- proliferação de pragas e doenças, como resultado de desequilíbrios nas cadeias alimentares. Algumas espécies, geralmente insetos, antes em nenhuma nocividade, passam a proliferar exponencialmente com a eliminação de seus predadores, causando graves prejuízos, principalmente para a agricultura.

Além desses impactos locais e regionais da devastação das florestas, há também um perigoso impacto em escala global. A queima das florestas, seja em incêndios criminosos, seja na forma de lenha ou carvão vegetal para vários fins (aliás, a queima de carvão vegetal vem aumentando muito na Amazônia brasileira, como resultado da disseminação de usinas de produção de ferro gusa, principalmente no Pará), tem colaborado para aumentar para aumentar a concentração de gás carbônico na atmosfera. É importante lembrar que esse gás é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Brasil já vive a crise climática global

Calor extremo e seca no Sudeste brasileiro. Nevascas e frio intenso na costa leste dos Estados Unidos. Ondas de calor no Alasca e na China em pleno inverno. Enchentes na Inglaterra. Temperaturas escaldantes e incêndios florestais por toda a Austrália. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo; e não é por acaso, segundo os meteorologistas.

"Todos esses eventos estão conectados dentro de um sistema climático global", disse ao Estado a pesquisadora Maria Assunção da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. Um sistema que, segundo ela - e a esmagadora maioria dos cientistas - está sendo alterado pelo acúmulo de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelo homem nos últimos 150 anos.

Treze dos 14 anos mais quentes já registrados pelo homem ocorreram nos últimos 14 anos, com a exceção de 1998. O ano passado foi o sexto mais quente. E o clima de 2014 parece ter começado fora dos trilhos também, com eventos extremos de temperatura e precipitação - para mais ou para menos - espalhados por todos os continentes.

O foco dessas perturbações atuais, segundo Assunção, está do outro lado do mundo. Mais especificamente no norte da Austrália e no sul da Indonésia, onde está chovendo muito, e na região central do Oceano Pacífico, onde está chovendo pouco.

Isso altera os padrões das correntes de jato (ventos fortes de altitude) nos dois hemisférios; o que altera os padrões de chuva típicos desta época, tornando o tempo extremamente estável e persistente em regiões de latitudes mais altas. O clima parece que "estacionou" nessas regiões, intensificando todos os efeitos. Um cenário que demonstra claramente como as mudanças climáticas são um problema global, que afetará todos os países, independentemente de sua posição geográfica ou situação econômica, dizem os especialistas.

Os modelos globais de previsão climática variam bastante entre si, mas todos preveem um aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos nas próximas décadas, por causa do aquecimento global. "Os extremos vão ficar mais intensos e ocorrer com mais frequência", resume Assunção.

Ligação. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima preveem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para a frente. Estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aquecimento global e um evento climático qualquer, porém, é extremamente difícil.

"Sempre que há algum fenômeno extremo em curso as pessoas perguntam se isso tem a ver com o aquecimento global, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder", explica o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.


A resposta, segundo ele, depende de um análise estatística do comportamento do clima ao longo de várias décadas, para ter certeza de que se trata de uma mudança sistemática e não apenas de flutuação pontual. "Mesmo dez anos é pouco tempo", avalia Seluchi, com a ressalva de que não é possível esperar por essa certeza para começar a agir, pois já será tarde demais para reverter o processo. O economista Nicholas Stern coloca os fatos de forma contundente. "A mudança climática está aqui, agora", diz o título de um artigo escrito por ele, manchete do jornal britânico The Guardian, anteontem, com uma foto do Rio Tâmisa transbordando sobre Londres.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Nossa Realidade

Brasil fica em 77º colocado em índice que avalia desempenho ambiental das nações

De acordo com relatório das universidades de Yale e Columbia, país cuida mal de recursos naturais e expõe saúde de habitantes

Brasil fica em 77º colocado em índice que avalia desempenho ambiental das nações Henrique Tramontina/Arte ZH
Foto: Henrique Tramontina / Arte ZH
Fosse o meio ambiente no Brasil uma escola de samba, estaríamos mal de porta-bandeira, bateria, mestre-sala… Do jeito que somos descuidados, era bem capaz de pegar fogo no barracão. Divulgado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Índice de Desempenho Ambiental (EPI) coloca o Brasil na 77ª posição entre 178 países avaliados de acordo com a qualidade da gestão de seus recursos naturais.
Para se dar bem no EPI, as nações devem proteger os ecossistemas e os seres humanos que deles dependem. Parceria entre as universidades de Yale, Columbia e o Fórum de Davos, o EPI avalia o desenvolvimento sustentável das nações, com índices de 0 a 100 em nove áreas de referência. Tomamos a liberdade de transpor o desempenho em cada indicador para notas de 0 a 10, para ver como samba o Brasil.
 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Parece com a realidade???




Ondas de calor que país enfrenta poderão ser mais frequentes, diz especialista


A avaliação é do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre 



O calor excessivo registrado em 2013 e neste início de 2014 pode acontecer com mais frequência nos próximos anos se o país não conseguir reduzir o impacto do aquecimento global no meio ambiente, explicou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre.

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário explicou que episódios isolados de períodos muito secos ou de muitas chuvas já ocorreram no passado, e alguns são típicos das estações do ano, como as ondas de calor. "Um fenômeno extremo isolado não permite que alguém imediatamente aponte o dedo e diga que é culpa do aquecimento global", disse.

No entanto, explicou que o aquecimento global aumenta o número de ondas de calor. "Cem anos atrás, esse calor extremo acontecia a cada dez ou 20 anos. Com o aquecimento da Terra, vamos viver isso com mais frequência, e daqui a 100 ou 200 anos, esse vai ser o clima do dia a dia".

Segundo ele, diferentemente do que ocorre com a espécie humana, um grande número de espécies não consegue acompanhar essas mudanças, principalmente as vegetais. "A extinção é rápida e a reconstituição da biodiversidade é lenta. Devemos esperar uma pertubação e uma extinção em massa, se isso não mudar".

Como, em certo grau, a mudança no clima já se tornou inevitável, para Nobre seria irresponsabilidade da sociedade não cuidar de uma adaptação a essas mudanças. "Os países desenvolvidos têm sistemas que diminuem a vulnerabilidade a desastres naturais, mas os países em desenvolvimento ainda sofrem muito. Nossa lição de casa básica é tornar as sociedades e o meio ambiente mais resilientes para o que está acontecendo hoje".

Corroborando as afirmações do secretário, a presidente do comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), Suzana Kahn Ribeiro, diz que é necessário repensar o crescimento das cidades, os padrões de consumo e as políticas de eficiência energética, entre outros fatores, para tentar reverter a mudança no clima. "Muito pouca coisa se tem feito, o que é preocupante, dada a urgência do problema e o transtorno que traz. Não se trata apenas de incômodo para as pessoas, mas de perdas econômicas, aumento da desigualdade e riscos para saúde". O PBMC projeta um clima mais quente para este século.

O secretário do MCTI, Carlos Nobre, faz parte do Conselho Consultivo Científico da Organização das Nações Unidas (ONU), que tem o papel de formular estudos e análises para assessorar o secretário-geral Ban Ki-moon sobre sustentabilidade, incluindo mudanças climáticas. "Em seis meses, esse conselho vai produzir documentos importantes que vão servir de referência para o secretário-geral destravar as negociações que começaram na Conferência de Copenhague, em 2009, sobre a emissão de gases", explicou.

(Andreia Verdélio /Agência Brasil)