sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Eventos extremos do clima

 Há um excelente livro que nos auxilia a compreender as várias facetas das mudanças climáticas, nas dimensões atmosférica, botânica, ecológica, zoológica e humana. Trata-se do livro "Biologia e Mudanças Climáticas no Brasil", organizado por Marcos Buckeridge e escrito por um extenso time de pesquisadores nas diferentes áreas. O trecho transcrito abaixo é de autoria de Paulo Saldiva e nos ajuda na reflexão sobre a dimensão humana.   Boa leitura a todos!!!!

Os eventos extremos do clima abrangem períodos com temperaturas muito elevadas ou muito baixas, chuvas torrenciais, inundações, secas e tempestades, em tal intensidade que superam a adaptação (cultural, social, psicológica e fisiológica) desenvolvida pela população no estudo.O estresse térmico é uma das circunstâncias associadas classicamente aos efeitos de saúde. 
Os extremos de temperatura afetam preferencialmente crianças e idosos, e aqueles com problemas cardíacos e respiratórios crônicos preexistentes. As áreas urbanas são mais afetadas que as rurais, sugerindo que as ilhas de calor ou os gargalos urbanos realçam os efeitos das temperaturas extremas. As alterações mais sutis,como cognitivas ou comportamentais consequentes dos extremos térmicos, não foram caracterizadas até agora em nenhuma das modulações de tais eventos por circunstâncias sócio-econômicas. Entretanto, é completamente plausível que pobreza e casas simples sejam fatores significativos do efeito do estresse térmico.
Inundação é o desastre natural mais frequente, matando aproximadamente 100 000 pessoas ao redor do mundo por ano e afetando entre um e dois bilhões de pessoas no mesmo período. Espera-se um aumento das inundações com um aumento da temperatura do planeta. além da inundação por si só, a chuva em excesso facilita o acesso de dejetos humanos e animais aos reservatórios da água potável, aumentando a probabilidade de epidemias de doenças transmitidas pela água, como as hepatites e infecções intestinais.
Espera-se também que os períodos de secas aumentem como consequencia do aquecimento global e obviamente, tenham impactos negativos na na produção de alimentos. A fome e suas consequencias à saúde serão resultados mais óbvios de tal condição. 
Agentes infecciosos, organismos vetores, reservatórios biológicos e a taxa de disseminação de patógenos são afetados marcantemente pelo clima.
Em termos gerais, bactérias e vírus proliferam mais rapidamente quando há aumento de temperatura.
As mudanças na temperatura global influenciarão a saúde humana por diversos mecanismos. O processo de mudanças climáticas já começou e as consequencias para a saúde humana tem sido previamente detectadas. As secas, mudanças na distribuição geográfica de doenças infecciosas, mortes em razão de episódios de temperaturas extremas e a poluição do ar são evidências em diversas partes do mundo. É hora de incluir a espécie humana na lista de risco das mudanças climáticas globais e de corrigir o perfil de consumo de energia, a fim de evitar mais sofrimento e consequencias adversas à saúde. 

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